Há muitos anos não bebia um vinho nordestino. Lembro que experimentei um Cabernet Sauvgnon, não me lembro se puro ou assemblage. Era um Carrancas (foto abaixo). Na ocasião achei bom, mas nada de especial.
Enfim, quase não me lembrava deste carrancas. Eu e Monique resolvemos então experimentar outro nordestino. Estávamos curiosos acerca da enologia do Vale do São Francisco... Compramos então um cabernet sauvgnon 2008 da Vinha Maria. Infelizmente, não achamos um bom vinho. Achamos marcante a "cica", aquela sensação de boca seca, que o vinho provoca (ao final, separamos uma matéria sobre adstringência). Entretanto, outros que experimentaram o mesmo vinho, gostaram, e postoram sobre isto. Abaixo, selecionamos uma opnião contrária à nossa. Confira:
por Bruno Agostini
Que a Dão Sul e Portugal podem produzir grandes vinhos eu já estava careca de saber. Mas não podia imaginar que a enologia no Vale do Rio São Francisco já estava tão avançada.
Ontem, num jantar no Mr Lam harmonizado com rótulos como o Four C, o Encontro 1 e a Quinta das Tecedeiras, quem mais me chamou a atenção foi a Vinha Maria, um corte de Touriga Nacional com Cabernet Sauvignon produzido em Petrolina, em Pernambuco, numa fazenda às margens do Velho Chico.
Não, não estou dizendo que o brasileiro foi o melhor vinho da noite. Mas foi uma surpresa impressionante. O vinho é elegante, aromático e equilibrado, tudo o que faltava aos tintos nordestinos.
Sem dúvida é o melhor vinho sertanejo que já provei, muito acima dos demais.
Se não acreditas, te desafio a provar. Custa cerca de R$ 50. E vende em lojas como a Bergut.
Obs: Bem, a garrafa que compramos estava bem mais em conta do que o informado na matéria acima, embora se trate do mesmo vinho...
Como dissemos, selecionamos uma matéria sobre aquela sensação de boca seca:
Por Adolfo Lona. (http://adolfolona.blogspot.com/)
Adstringência é uma sensação gustativa provocada pelos taninos contidos nos vinhos tintos. Estes componentes que são responsáveis pelo corpo ou estrutura reagem com as proteínas da boca que perde momentaneamente o poder lubrificante da saliva ocasionando a sensação conhecida como “boca seca”. São vinhos difíceis de beber, duros, ásperos.
Como já sabemos a cor dos vinhos tintos se encontra na casca já que o suco não tem cor por isso que a elaboração se faz macerando a casca no suco. A cor é formada pelos antocianos que tem a cor vermelha e são os primeiros que se incorporam ao suco, e os taninos que são os responsáveis pela estrutura, que se incorporam depois, quando o processo de fermentação está mais avançado porque são solúveis em álcool.
Quando desejamos elaborar um vinho jovem para ser consumido em pouco tempo, procuramos retirar antocianos e evitar retirar taninos. A cor não será tão estável mais os vinhos são de vida curta.
Quando elaboramos um vinho de guarda retiramos o máximo de taninos possíveis e depois os “domamos” através do uso de barricas de carvalho e do envelhecimento na garrafa, etapas que tem por finalidade amaciar o vinho e tornar os aromas mais complexos formando o desejado bouquet.
Porque encontramos excesso de adstringência em alguns vinhos tintos e como podemos diminuí-la?
O excesso de adstringência é por diversos fatores.
Uvas tintas não tão maduras contêm taninos mais verdes que são mais duros e adstringentes. Os vinhos elaborados com estas uvas exigem maior tempo de repouso.
Uvas bem maduras às quais se retira taninos em excesso na elaboração resultam em vinhos encorpados mais rebeldes desde o ponto de vista de adstringência.
Estes vinhos também merecem maior tempo de repouso.
O problema é que na corrida da venda rápida algumas cantinas tanto nacionais como estrangeiras exageram e colocam seus vinhos antes de estarem prontos para o consumo.
A solução para você que adquiriu um lote de vinho de boa qualidade mais excessivamente tânico é guardá-lo durante um tempo que dificilmente será inferior a 10-12 meses.
Nestes casos temos de fazer uso de duas verdades enológicas:
A paciência é a maior virtude de quem aprecia vinhos, e quem bebe por último bebe melhor.
Como já sabemos a cor dos vinhos tintos se encontra na casca já que o suco não tem cor por isso que a elaboração se faz macerando a casca no suco. A cor é formada pelos antocianos que tem a cor vermelha e são os primeiros que se incorporam ao suco, e os taninos que são os responsáveis pela estrutura, que se incorporam depois, quando o processo de fermentação está mais avançado porque são solúveis em álcool.
Quando desejamos elaborar um vinho jovem para ser consumido em pouco tempo, procuramos retirar antocianos e evitar retirar taninos. A cor não será tão estável mais os vinhos são de vida curta.
Quando elaboramos um vinho de guarda retiramos o máximo de taninos possíveis e depois os “domamos” através do uso de barricas de carvalho e do envelhecimento na garrafa, etapas que tem por finalidade amaciar o vinho e tornar os aromas mais complexos formando o desejado bouquet.
Porque encontramos excesso de adstringência em alguns vinhos tintos e como podemos diminuí-la?
O excesso de adstringência é por diversos fatores.
Uvas tintas não tão maduras contêm taninos mais verdes que são mais duros e adstringentes. Os vinhos elaborados com estas uvas exigem maior tempo de repouso.
Uvas bem maduras às quais se retira taninos em excesso na elaboração resultam em vinhos encorpados mais rebeldes desde o ponto de vista de adstringência.
Estes vinhos também merecem maior tempo de repouso.
O problema é que na corrida da venda rápida algumas cantinas tanto nacionais como estrangeiras exageram e colocam seus vinhos antes de estarem prontos para o consumo.
A solução para você que adquiriu um lote de vinho de boa qualidade mais excessivamente tânico é guardá-lo durante um tempo que dificilmente será inferior a 10-12 meses.
Nestes casos temos de fazer uso de duas verdades enológicas:
A paciência é a maior virtude de quem aprecia vinhos, e quem bebe por último bebe melhor.
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